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Notícia - VI Noite Ucraniana: A Magia Cigana no Folclore Ucraniano
08/12/2011
VI Noite Ucraniana

A dança ucraniana faz parte da cultura milenar presente na Ucrânia, e da cultura de mais de um século de imigração ucraniana no Brasil.
 
A noite ucraniana, apresentada pelo grupo folclórico Ivan Kupalo, é um tributo à cultura. Nela, estão presentes as iguarias do cardápio ucraniano, as lendas e tradições deste povo, bem como a demonstração de sua alegria e coragem através da dança. 

Um espetáculo folclórico de cores e magia. Neste ano, também, de magia cigana. 

O Grupo Folclórico Ucraniano Ivan Kupalo, explorou a Ucrânia na sua diversidade etnográfica de leste a oeste. Representou, na saudação com pão e sal (símbolos de riqueza e fertilidade da terra) a grande agilidade e rapidez dos habitantes dos Montes Cárpatos. Também, explorou a delicadeza da mulher ucraniana, presenteando o público com uma homenagem à primavera na dança vesniánki kozatchok. 

Mas o grande diferencial da noite foi a dança Tsehánotchka (cigana). O público pôde ter contato com este povo, que, com o passar dos anos, assimilou a cultura ucraniana dentro de suas próprias tradições. 

O povo TSÊRRÁNE (cigano), também chamado de Rôma, tem suas origens na Índia. Não se sabe ao certo por que os ciganos saíram de suas terras, o que se sabe é que seguiram rumo ao ocidente. Vieram do leste para o oeste. Chegaram na Europa por volta do século 14, e na Ucrânia, no século 15. 

A conquista de um espaço por um povo de língua estranha e costumes diferentes, é muito difícil. O povo cigano sofreu e sofre até os dias de hoje preconceito pela opção do estilo de vida que fizeram. 

Mesmo assim, mantêm-se unidos em uma sociedade fechada, conservando costumes transmitidos oralmente de pai para filho. Não chegam a formar uma nação, pois não têm um lugar certo para chamar de Pátria. Mesmo assim, partilham das mesmas raízes, do mesmo dialeto e não abrem mão de ser o que são. 

A partir do final do século 16, sucederam-se em toda a Europa, autorizações, leis e decretos contra o modo de vida dos ciganos. A dinâmica dessas disposições será contraditória (são obrigados a sedentarizar-se ao tempo que se lhes impede a entrada em muitas cidades; são obrigados a assimilarem a cultura local ao tempo que são concentrados em determinados bairros; são obrigados a trabalhar em ofícios reconhecidos ao tempo que são impedidos de entrar nos grêmios…). A tenacidade dos ciganos, as suas estratégias de ocultamento, de multi-ocupacionalidade, de adaptação às circunstâncias instáveis da legislação, a capacidade para cruzar fronteiras ou para aliar-se em determinadas ocasiões com a população local, realizando trabalhos imprescindíveis, faz com que os ciganos de toda Europa resistam à assimilação e conservem as suas próprias características culturais.

Mas um novo baque os espera já no século 20. Na Ucrânia, ocupada pelo governo soviético, o povo cigano é obrigado a se estabelecer nas terras do governo, devido a coletivização forçada. Mais tarde, durante a segunda guerra mundial, mais de 300 mil ciganos foram mortos pelos nazistas em campos de concentração. Segundo a ideologia nazista, eles eram impuros, indignos de existir, como os judeus. 

Apesar das tantas trajédias sofridas, assim como as que sucederam ao povo ucraniano, os ciganos são detentores de peculiar alegria, e um estilo inconfundível de saias rodopiantes, adereços e jóias, movimentos e batidas rápidos, conservando um folclore de estilo ímpar e de beleza artística irrenegável. 

Na Ucrânia, até os dias de hoje, na região dos Montes Cárpatos, existem muitos ciganos. Seu estilo confunde-se ao folclore ucraniano, pois o povo cigano agrega para si um pouco da cultura local. 

Este intercâmbio cultural existente entre povos diversos, com histórias de opressão tão parecidas, revela-se através da manifestação folclórica, principalmente através da dança. E, ao meio disto tudo, histórias de amor também podem surgir... 

Durante o espetáculo, o grupo folclórico ucraniano Ivan Kupalo contou a história de amor entre o jovem ucraniano habitante dos Montes Cárpatos e a cigana, utilizando-se da dança em sua forma teatral para expressar o enredo. Ao final, a cigana rendeu-se às tradições ucranianas, havendo o casamento entre os dois. 

Já as crianças do grupo infantil, apresentaram a sua versão do hopak e da hutsulka. A hutsulka é a ágil dança da região da Hutsulshyna, em que há movimentos uniformes de pés e cabeça. 

Também como diferencial da noite houve a apresentação de três Hopáks, mostrando toda a habilidade dos cossacos em passos de grande esforço físico. O hopak está presente nos mais empolgantes espetáculos de dança folclórica ucraniana, retratando a agilidade dos cossacos e a alegria deste povo. Sua primeira aparição nos palcos ocorreu em 1819 durante a peça Natálka Poltálka, e, a partir de então, o hopák dançado nas vilas camponesas ganhou formas mais harmoniosas, tornando-se a dança de maior expressão artística da cultura ucraniana.


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